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Abrir espetinho com amigo dá certo? Regras para não perder dinheiro

Descubra se abrir espetinho com amigo dá certo, como dividir os lucros e o trabalho na barraca, e os acordos para não destruir o negócio nem a amizade.

Por Na Brasa. Publicado em . 10 min de leitura.

Resposta curta: Sim, abrir espetinho com amigo dá certo, mas exige regras claras e combinadas antes da primeira venda. A maioria das parcerias falha porque a divisão do trabalho na brasa e nas compras acaba ficando pesada para um lado só. Para proteger a amizade e o negócio, vocês precisam separar o que é o dinheiro do caixa, o que é o pagamento por quem trabalhou no dia, e o que é o lucro da sociedade.

Muitos vendedores de rua começam o negócio em dupla. Dividir o peso de comprar os equipamentos iniciais, carregar a churrasqueira e atender o público nas noites de movimento faz com que a ideia de abrir uma barraca pareça muito mais fácil. Trabalhar ao lado de alguém que você confia tira o medo inicial de empreender.

Porém, quando a fumaça sobe, o dinheiro começa a pingar na maquininha e o cansaço bate depois de madrugadas limpando grelha, a amizade é testada. Se não houver clareza sobre quem faz o quê, um dos lados inevitavelmente vai sentir que está trabalhando mais e ganhando menos.

Para que essa parceria funcione e traga dinheiro para os dois sem destruir a relação, é preciso tratar a barraca como uma empresa desde o primeiro dia. O seu plano de negócio de espetinho precisa contemplar a divisão exata de funções, a matemática da divisão dos lucros e até mesmo o que vai acontecer se um de vocês decidir desistir.

Por que a maioria das brigas acontece na barraca?

As sociedades em barracas de espetinho não costumam acabar por falta de clientes, mas por falta de alinhamento. A desconfiança ou o ressentimento nascem em coisas pequenas do dia a dia.

O cenário mais comum é a falta de padrão no esforço. O espetinho não é apenas o tempo que você passa atrás da churrasqueira. Ele envolve acordar cedo para ir ao açougue, negociar preço de carne, limpar peças com capa de gordura, cortar tudo em cubos padrão, temperar, espetar palito por palito e organizar as caixas térmicas.

Quando apenas um dos amigos fica responsável por toda essa preparação dos bastidores, enquanto o outro apenas aparece no final do dia para ajudar a assar e receber o dinheiro, a balança do esforço fica desequilibrada. Se no final da noite ambos dividem o dinheiro meio a meio, quem passou o dia limpando carne vai se sentir injustiçado.

Outro ponto grave é a mistura de dinheiros. Se um dos sócios recebe um pagamento no Pix em sua conta pessoal, o outro recebe o dinheiro vivo e guarda no bolso, e o terceiro cliente paga na maquininha que está no CNPJ de um deles, o fechamento do caixa vira um caos. A confusão financeira gera dúvidas cruéis, mesmo entre pessoas honestas.

Como dividir o trabalho antes, durante e depois da venda?

A solução para não haver sobrecarga é mapear absolutamente todas as tarefas que a barraca exige e definir os donos de cada uma. Se vocês vão ter duas pessoas atendendo na barraca, dividam claramente os papéis.

1. A preparação e as compras (Bastidores) Decidam quem vai fazer o controle de estoque, quem vai ao açougue e quem vai comprar bebidas, carvão e palitos. O processo de cortar e espetar a carne deve ser feito em conjunto, ou, se apenas um fizer, essa pessoa deve receber um pagamento extra por essas horas de produção.

2. A montagem e a operação (Na rua) Na hora de montar a tenda, descarregar o carro e acender o fogo, os dois precisam estar presentes. Durante o pico de vendas, dividam as áreas: um fica responsável pela brasa (assando, controlando o ponto da carne, virando os espetos) e o outro fica responsável pelo atendimento (anotando pedidos, entregando as bebidas, recebendo os pagamentos, oferecendo guardanapos e farofa). Quem fica no dinheiro não deve tocar na carne crua, o que agiliza o processo e melhora a higiene.

3. A desmontagem e a limpeza (O final) Depois que o último cliente vai embora, começa a pior parte do trabalho. Recolher o lixo, limpar a grelha ainda quente, guardar o carvão que sobrou, lavar os coolers e conferir o estoque de bebidas que voltaram. Isso deve ser feito sempre pelos dois.

Quem entra com o dinheiro e quem entra com o trabalho?

Existem diferentes tipos de parcerias e cada uma exige uma matemática própria de divisão. O erro é achar que toda sociedade é "meio a meio".

Se os dois amigos dividiram igualmente os custos para comprar a churrasqueira, a tenda, o isopor e a primeira leva de carnes, e também dividem igualmente todo o trabalho braçal, a divisão dos lucros será de fato 50% para cada. É o cenário ideal se vocês querem o que comprar com mil reais espetinho e dividem o custo de R$ 500 para cada um.

Mas há casos em que um amigo tem o dinheiro, mas não tem tempo, e o outro tem a disposição para assar, mas está sem grana. Nesse modelo de sócio investidor e sócio operador, o combinado precisa mudar.

O pró-labore é o salário de quem trabalha. Se apenas um amigo vai ficar na fumaça assando os espetos e lidando com os clientes, essa pessoa precisa tirar uma diária justa pela noite de trabalho, como se fosse um funcionário. Esse dinheiro não é o lucro, é o custo do trabalho. Depois que todas as contas da noite são pagas (incluindo essa diária), o lucro que sobrou na caixa é dividido entre os dois na proporção combinada (geralmente 50/50, pois um garantiu a operação e o outro garantiu a existência do negócio com o capital).

Como dividir o dinheiro do caixa no final da noite?

Fazer o acerto de contas no fim do expediente é o momento mais sensível. Nunca tirem dinheiro do caixa antes de pagar as contas de reposição. O faturamento total (tudo que entrou) não é dinheiro de vocês; a maior parte pertence à própria barraca.

O CMV é o custo da mercadoria vendida, ou seja, o dinheiro que precisa ficar guardado para comprar a carne, o palito e a cerveja do dia seguinte. Se vocês comerem esse dinheiro, a barraca quebra em uma semana.

Vejam um exemplo prático de uma noite de sábado:

Descrição do movimento financeiro Valor (R$) Destino do dinheiro
Faturamento Total (Pix, Cartão, Dinheiro) R$ 600,00 Caixa da barraca
(-) Custo para repor mercadorias (carnes, carvão) R$ 250,00 Fica no caixa para ir ao açougue no dia seguinte
(-) Taxas de maquininha e imprevistos R$ 20,00 Fica no caixa
(-) Fundo de reserva (para manutenções) R$ 30,00 Fica no caixa (conta do negócio)
Lucro Líquido Real da Noite R$ 300,00 Pode ser distribuído
Parte do Sócio A (50%) R$ 150,00 Vai para o bolso do amigo A
Parte do Sócio B (50%) R$ 150,00 Vai para o bolso do amigo B

Exemplo: Em uma noite que vendeu R$ 600, os dois amigos não levam R$ 300 para casa. Eles repõem R$ 250 em produtos, guardam pequenas parcelas para taxas e fundo da empresa, e só então dividem os R$ 300 que sobraram de lucro real. Cada um leva R$ 150 por essa noite. Essa clareza salva qualquer amizade.

Como controlar as vendas sem gerar desconfiança?

O caderno de anotações é inimigo das sociedades. Uma letra ilegível, um pedido que esqueceram de anotar no meio do movimento, ou a dúvida de se um espeto de medalhão foi pago no Pix ou ficou fiado, são suficientes para gerar uma discussão no fechamento do caixa.

A melhor maneira de acabar com o estresse financeiro é usar a tecnologia para registrar cada palito que sai. O sistema para espetinho do Na Brasa é feito para isso. Ele funciona direto no navegador do celular, sem precisar comprar computadores.

Com o aplicativo, vocês têm acesso a logins de equipe. O dono do negócio e o vendedor podem acessar a mesma conta pelo próprio celular de cada um. Enquanto um anota que o cliente da mesa pediu dois espetos de carne, o outro já vê que o pedido entrou no sistema. No final da noite, o próprio aplicativo mostra o que era esperado em dinheiro, o que entrou no cartão e o que entrou no Pix.

Se a internet da rua cair, não tem problema, pois o Na Brasa funciona offline e sincroniza depois quando vocês conectarem no Wi-Fi de casa. É possível fazer um teste grátis por 4 dias e comprovar que as contas vão bater em todos os centavos. Depois do teste, o sistema custa apenas R$ 29,90 por mês. Como o fechamento já mostra as vendas com o desconto da taxa da maquininha e separa as despesas, não há espaço para "eu acho que faturamos X". O número está na tela para os dois conferirem, garantindo a paz entre os sócios.

Como legalizar a sociedade na barraca de espetinho?

Quando a barraca cresce, vocês vão querer legalizar a situação para poderem emitir notas, comprar mercadorias de grandes fornecedores com CNPJ e conseguir a licença da prefeitura para trabalharem tranquilos.

Muitos perguntam se dois amigos podem abrir um MEI (Microempreendedor Individual) juntos. A resposta oficial é não. As regras vigentes determinam que o MEI não permite sociedade. Você pode confirmar todas essas exigências oficiais acessando o Portal do Empreendedor do Governo Federal.

Se vocês quiserem atuar completamente dentro da regra com uma sociedade documentada, precisarão abrir uma ME (Microempresa), que tem custos de contabilidade e impostos maiores. A alternativa que muitos vendedores usam no início é um dos amigos abrir o MEI em seu próprio nome e o outro atuar informalmente, ou um ser o dono do MEI e registrar o amigo como funcionário (o MEI permite a contratação de até um empregado).

Lembre-se também de consultar as regras da prefeitura da sua cidade. A licença de uso do solo (o alvará de ambulante) geralmente é concedida de forma pessoal e intransferível para o titular do CPF ou CNPJ. É fundamental entender que acordos informais baseados em contratos de gaveta ("a barraca está no meu nome, mas nós dois somos donos") carregam riscos altos se a amizade acabar ou se a fiscalização exigir a presença constante do titular na barraca.

O que acontece se a parceria terminar?

As vidas mudam. Um dos amigos pode conseguir um emprego fixo que pague bem, se mudar de cidade, ou simplesmente não querer trabalhar em feriados prolongados enquanto o outro deseja expandir e abrir novas barracas.

A regra de saída precisa estar clara no primeiro dia, quando vocês ainda são grandes amigos. Se um decidir sair, o negócio não pode falir junto. O combinado tradicional do mercado de rua é: quem decide sair tem o direito de receber de volta a sua parte dos equipamentos, calculando o valor atual de mercado deles (e não o valor que pagaram quando tudo era novo).

Por exemplo: se a churrasqueira e a tenda custaram R$ 2.000 há um ano, hoje elas não valem o mesmo. O desgaste pelo calor e uso contínuo faz o preço cair. Vocês devem avaliar por quanto conseguiriam vender aquele material usado e o sócio que fica compra a parte do outro, permitindo que a barraca continue funcionando.

Próximo passo

Antes de comprarem a primeira faca ou o primeiro pacote de carvão, sentem com papel e caneta (ou o bloco de notas do celular) e escrevam os deveres de cada um. Combinem quanto cada um vai investir, quantos dias por semana vão para a rua, quem vai limpar as carnes e qual será o salário fixo antes da divisão do lucro. Com essas regras transparentes, sua amizade estará protegida e vocês poderão focar no que realmente importa: vender carne boa na brasa e colocar dinheiro no bolso.

Perguntas frequentes

Abrir espetinho com amigo dá certo?+

Dá certo se houver regras claras desde o primeiro dia. É preciso definir quem investe o dinheiro, quem trabalha na operação e como o lucro será dividido, separando a amizade da empresa.

Como dividir o lucro do espetinho entre dois sócios?+

O ideal é pagar um valor fixo por noite para quem efetivamente trabalha na barraca (pró-labore) e, depois de pagar todas as contas e guardar dinheiro para o caixa do negócio, dividir o lucro que sobrou conforme a parte de cada um.

Um amigo entra com o dinheiro e o outro com o trabalho. Como funciona?+

Quem trabalha recebe um valor pelas horas na barraca e na preparação. O lucro final, que sobra depois das despesas e salários, é usado primeiro para devolver o investimento de quem colocou o dinheiro e, depois, dividido na proporção combinada.

Dois sócios podem abrir um MEI juntos na barraca?+

Não. O MEI (Microempreendedor Individual) é apenas para uma pessoa e não permite sócios. Para terem uma sociedade oficial no papel, vocês precisam abrir uma Microempresa (ME) ou registrar um como MEI e o outro como funcionário.

Como evitar brigas na hora de fechar o caixa do espetinho?+

Usando um sistema de controle ou anotando cada venda no momento em que acontece, com separação de maquininha, Pix e dinheiro. Misturar o dinheiro das vendas com o dinheiro pessoal do bolso é a principal causa de desconfiança.

O que fazer se o amigo quiser sair da sociedade do espetinho?+

Vocês devem combinar antes a regra de saída. Quem fica tem o direito de comprar a parte de quem sai, pagando o valor investido nos equipamentos (como churrasqueira, caixa térmica e tenda) com o desconto do tempo de uso e da depreciação.

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