Como mudar de MEI para ME: passo a passo para o espetinho
Descubra como mudar de MEI para ME quando seu negócio de espetinhos cresce. Veja os sinais de alerta, a regra do faturamento e o passo a passo da transição.
Por Na Brasa. Publicado em . 11 min de leitura.
Resposta curta: Para mudar de MEI para ME, você precisa solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional, atualizar o registro da sua empresa na Junta Comercial do estado e ajustar os alvarás na prefeitura. Geralmente, essa transição exige a contratação de um contador e acontece quando o seu faturamento ultrapassa o teto anual do MEI ou quando a sua barraca precisa registrar mais de um funcionário para dar conta do movimento.
Todo vendedor de espetinho sonha em ver a calçada cheia, a fumaça subindo e a churrasqueira trabalhando sem parar. Você começa pequeno, com uma caixa térmica, uma grelha simples e a meta de vender trinta espetos na noite. Mas, se o tempero for bom e o atendimento de primeira, o negócio cresce. Logo, trinta espetos viram cem, duzentos, trezentos por noite. O que antes era apenas uma renda extra na calçada se transforma em um comércio forte.
É exatamente nesse ponto que a burocracia bate à porta. O Microempreendedor Individual (MEI) foi criado para tirar o trabalhador autônomo da informalidade com facilidade e baixo custo. Porém, ele tem regras restritas. Quando o seu negócio de rua fica grande demais para essas regras, você precisa dar o próximo passo e transformar o seu CNPJ em uma Microempresa (ME).
Muitos vendedores têm medo dessa transição porque acham que os impostos vão acabar com o lucro da carne. Mas entender como mudar de MEI para ME é o que garante que você não terá problemas com a Receita Federal e poderá expandir sem medo.
Quais são os sinais de que preciso mudar de MEI para ME?
O governo define limites claros para que uma empresa continue enquadrada como MEI. Você não muda de categoria apenas porque tem vontade, mas sim porque a operação do seu ponto de venda exigiu isso. Existem quatro motivos principais que forçam um vendedor de espetinho a fazer essa mudança.
O primeiro e mais comum é o faturamento bruto. O MEI tem um limite de faturamento anual. É fundamental entender que faturamento não é lucro. Faturamento é a soma de todo o dinheiro que entra no seu caixa, na maquininha, no Pix e no dinheiro vivo, antes de você pagar a carne, o carvão, as bebidas e os acompanhamentos. Se as suas vendas totais passarem do teto estipulado para o ano, você é obrigado a sair do MEI. Para saber o valor exato desse teto neste momento, você sempre deve consultar o Portal do Empreendedor, pois as leis mudam. Veja mais sobre como monitorar o seu limite de faturamento.
O segundo motivo é a quantidade de funcionários. O MEI permite que você tenha apenas um empregado registrado com carteira assinada, recebendo o salário mínimo ou o piso da categoria. Se o movimento na sua barraca cresceu e você precisa de uma pessoa apenas para assar a carne na brasa, outra para servir as mesas e outra para cuidar do caixa e das bebidas, você obrigatoriamente precisará ser uma ME para assinar a carteira de toda essa equipe.
O terceiro ponto é a entrada de sócios. O formato MEI não permite que você tenha um sócio. Se você decidir se juntar a um amigo que vai investir capital para transformar a sua barraca de rua em uma espetaria com ponto fixo, a empresa terá que mudar de categoria para incluir o nome dele no contrato social.
Por fim, o quarto motivo é a abertura de filiais. Se o seu ponto original é um sucesso e você decide colocar um segundo carrinho de espetinho em outra praça do bairro, sob o mesmo CNPJ, o MEI não permite isso. Apenas empresas de portes maiores podem ter filiais registradas.
O que é o desenquadramento do MEI na prática?
Mudar de MEI para ME não significa fechar a sua empresa atual, dar baixa no CNPJ e começar tudo do zero. O seu número de CNPJ, que já tem histórico no banco, que já tem máquina de cartão vinculada e que os seus clientes conhecem, continua exatamente o mesmo.
O que ocorre é apenas um processo administrativo chamado de desenquadramento. Você informa ao governo que a sua empresa cresceu e que, a partir daquele momento, deixará de seguir as regras simplificadas do MEI para seguir as regras da Microempresa.
O desenquadramento pode ser opcional ou obrigatório. O opcional é quando você ainda não estourou o faturamento, mas decide mudar porque encontrou um sócio ou precisa contratar três chapeiros. O obrigatório acontece automaticamente ou por exigência da lei quando você ultrapassa o teto financeiro de vendas.
Como calcular se o faturamento estourou a regra?
O maior pesadelo do ambulante é descobrir tarde demais que vendeu além do permitido. A regra de estouro de faturamento do MEI tem uma tolerância importante que você precisa conhecer: a margem de 20%.
Se você ultrapassar o limite anual de vendas, mas esse excesso for de até 20% acima do teto, você não sofre penalidades imediatas no ano corrente. Você continuará pagando a sua guia mensal fixa do MEI até o final de dezembro. Chegando em janeiro do ano seguinte, você fará a declaração anual do MEI, pagará uma guia complementar (multa) apenas sobre o valor que passou do limite e, a partir desse momento, virará oficialmente uma Microempresa.
Porém, se as suas vendas bombarem tanto que você ultrapassar mais de 20% do teto, a regra muda drasticamente. O desenquadramento passa a ser retroativo a janeiro daquele mesmo ano. Isso significa que a Receita Federal vai considerar que você era uma ME desde o primeiro dia do ano, cobrando todos os impostos retroativos com juros. Isso pode quebrar o caixa de um pequeno negócio.
Abaixo, veja uma tabela com números de exemplo apenas para ilustrar como a matemática funciona na prática (consulte sempre os valores oficiais vigentes para o seu ano):
| Cenário de Vendas (Exemplo) | Situação do Faturamento | O que acontece com o CNPJ? | Paga imposto retroativo? |
|---|---|---|---|
| Cenário A | Vendeu abaixo do limite anual | Continua como MEI no próximo ano | Não paga nada extra |
| Cenário B | Passou do limite em até 20% | Vira ME em janeiro do ano seguinte | Não, paga imposto apenas sobre o que sobrou |
| Cenário C | Passou do limite em mais de 20% | Vira ME imediatamente | Sim, paga imposto de ME desde janeiro do ano atual |
Para controlar os números com precisão, você não pode depender da memória. O aplicativo Na Brasa resolve exatamente isso. Ele funciona direto no navegador do celular, sem precisar instalar nada pesado, e registra as vendas em dois toques. O aplicativo faz o fechamento de caixa comparando o previsto com o contado na noite, e no fim do mês entrega relatórios detalhados de vendas por dia da semana e por produto. Dessa forma, você acompanha o limite de perto. Você pode testar grátis por 4 dias e, depois do teste, o sistema custa R$ 29,90 por mês. Conheça as vantagens de um bom sistema para espetinho.
Qual o passo a passo de como mudar de MEI para ME?
O processo envolve burocracia e exige comunicação com três órgãos diferentes: o governo federal, o estado e o município. Veja a sequência correta.
1. Contrate um profissional de contabilidade
Enquanto o MEI foi desenhado para não precisar de contador, a Microempresa tem obrigações legais mais complexas. Todo mês, o contador precisará enviar declarações para a Receita, calcular a folha de pagamento dos seus assadores e gerar a guia de imposto. Tentar fazer isso sozinho pode resultar em multas pesadas.
2. Solicite no Portal do Simples Nacional
O seu contador vai entrar no site oficial do governo, usando o seu certificado digital ou código de acesso, e registrar o pedido formal de desenquadramento. Ele informará o motivo (excesso de faturamento, contratação de pessoal, etc.) e a data em que o fato ocorreu.
3. Registre a mudança na Junta Comercial
Depois de informar o Simples Nacional, é necessário avisar o seu estado. O contador fará o registro na Junta Comercial, transformando oficialmente aquele CNPJ que era de um MEI em um formato jurídico adequado para Microempresa, como o Empresário Individual (EI) ou uma Sociedade Limitada Unipessoal (SLU).
4. Atualize seus dados na Prefeitura
Esse é o passo que mais impacta quem trabalha na rua. O alvará que a prefeitura emite para um MEI ambulante costuma ter regras diferentes do alvará emitido para uma Microempresa, que muitas vezes é vista pela fiscalização como uma operação maior, exigindo mais estrutura. Será necessário atualizar a inscrição municipal, verificar as novas exigências da vigilância sanitária e garantir a renovação do seu alvará para vender espetinho na rua.
Quanto vou pagar de imposto virando Microempresa?
A principal mudança financeira está no jeito de cobrar o imposto. Como MEI, você paga a DAS, que é uma guia de valor fixo mensal, independentemente de ter vendido dez espetos ou mil espetos naquele mês. Choveu a semana inteira e você não trabalhou? A guia vence com o mesmo valor de sempre.
Na Microempresa enquadrada no regime tributário do Simples Nacional, o imposto deixa de ser fixo e passa a ser uma porcentagem aplicada em cima de tudo o que você vendeu no mês. A taxa varia conforme a atividade (o CNAE) do seu negócio, mas para comércios de alimentação, a alíquota geralmente começa na faixa mais baixa.
Exemplo prático de como funciona a porcentagem: se no mês de novembro choveu muito, o movimento caiu e você faturou R$ 5.000, o imposto será calculado apenas sobre esses R$ 5.000. Se no mês de dezembro o movimento estourou por causa das festas e você faturou R$ 30.000, o imposto incidirá sobre os R$ 30.000. Você paga de forma proporcional ao tamanho da sua venda.
Além do imposto sobre a venda, não esqueça que na ME existem os custos trabalhistas pesados caso você registre funcionários, e também os honorários mensais fixos do escritório de contabilidade.
O que muda na operação diária da barraca?
Na prática da rua, virar ME significa que a sua operação deixou de ser o "trabalho de um homem só". O volume de carne, de dinheiro e de clientes agora exige processos mais maduros.
Você não vai mais conseguir assar, cobrar, servir a farofa, dar o troco e limpar as mesas ao mesmo tempo. Você precisará delegar funções. Uma pessoa cuida exclusivamente da churrasqueira, garantindo que o ponto da carne não passe. Outra pessoa atende o público, limpa as mesas e controla a fila. Você, como dono, pode assumir o caixa ou gerenciar o fluxo geral.
Quando você coloca outra pessoa para lidar com o dinheiro e cobrar o cliente, o controle precisa ser absoluto. É aqui que ferramentas profissionais brilham. O Na Brasa, por exemplo, trabalha com logins separados. O dono da barraca tem um login de administrador com acesso a todo o fechamento financeiro. O vendedor ou garçom usa um login de equipe, onde ele apenas registra os pedidos, usa a função de mesas e comandas, anota o fiado para lembrar o cliente via WhatsApp e recebe o pagamento. O vendedor não tem acesso ao seu custo da carne nem à sua margem de lucro. Tudo isso funcionando até offline, sincronizando os dados quando a internet da maquininha ou do celular voltar a pegar.
Vale a pena segurar o crescimento para não sair do MEI?
Existe um comportamento muito perigoso no comércio de rua conhecido como "a síndrome de continuar pequeno". Muitos vendedores de espetinho, quando percebem que o faturamento de novembro já bateu no teto, decidem guardar a churrasqueira e só voltar a trabalhar em janeiro. Ou pior: começam a pedir para os clientes pagarem por fora, esconderem transações de Pix na conta da esposa, apenas para fugir da mudança para a ME.
Matematicamente e comercialmente, isso não faz sentido. Se existe demanda na calçada, se as pessoas estão fazendo fila para comprar a sua carne, você deve vender. O medo de pagar imposto não pode ser maior do que a vontade de lucrar.
Sim, a Microempresa paga uma fatia do que vende para o governo. Mas se você faturar R$ 150 mil e pagar impostos, ainda vai colocar muito mais dinheiro limpo no bolso do que se travar as suas vendas em R$ 80 mil apenas para economizar a diferença tributária. É preferível ter um negócio forte e lucrativo, capaz de avaliar muito bem o lucro do espetinho em feiras livres e pagar impostos corretamente, do que estagnar um negócio que tinha potencial para alimentar a sua família com muito mais abundância. Crescer dá trabalho, exige formalização e organização, mas é o único caminho para a prosperidade no comércio.
Próximo passo
Antes de fechar o seu planejamento, puxe os dados reais das suas vendas dos últimos noventa dias. Some absolutamente tudo o que passou pela maquininha de cartão, todos os comprovantes de Pix e o dinheiro vivo que entrou na sua gaveta. Faça uma média de quanto você está faturando por mês e multiplique por doze. Se esse valor estiver chegando perto ou passando do limite atual do Portal do Empreendedor, procure um contador na sua cidade nesta mesma semana. Não espere a Receita Federal mandar uma carta de notificação. Tomar a iniciativa e mudar de MEI para ME por conta própria garante que a transição seja suave, planejada e que a sua churrasqueira não pare de girar lucro nenhum dia sequer.
Perguntas frequentes
Como mudar de MEI para ME?+
A mudança é feita pelo processo de desenquadramento no Portal do Simples Nacional. Depois, é preciso registrar a alteração na Junta Comercial e na Prefeitura do seu município para atualizar o alvará de funcionamento.
Quando sou obrigado a mudar de MEI para ME?+
Você é obrigado a mudar se faturar mais que o limite anual estabelecido para o MEI, se precisar contratar mais de um funcionário com carteira assinada, se decidir ter um sócio ou se abrir uma filial da sua barraca ou espetaria.
O que acontece se eu estourar o limite de faturamento do MEI?+
Se estourar o limite em até 20%, você paga uma multa sobre o valor excedente e vira ME em janeiro do ano seguinte. Se estourar mais de 20%, o desenquadramento é retroativo e você paga os impostos de ME desde o início do ano atual.
Quanto custa passar de MEI para ME?+
O pedido de desenquadramento no site do governo é gratuito, mas você terá custos obrigatórios com honorários do contador, taxas de registro na Junta Comercial e possíveis vistorias e renovações de alvará na prefeitura. Os valores exatos variam por estado e cidade.
A Microempresa (ME) paga imposto diferente do MEI?+
Sim. Enquanto o MEI paga um valor fixo mensal (a guia DAS), a ME paga imposto calculado sobre o que realmente fatura. No regime do Simples Nacional, a alíquota inicial para comércio e alimentação geralmente começa em um percentual pequeno sobre a venda bruta daquele mês.
Posso voltar a ser MEI depois de virar Microempresa?+
Sim, é possível solicitar o retorno para o MEI no mês de janeiro do ano seguinte, desde que o faturamento total da sua ME no ano anterior não tenha ultrapassado o limite do MEI e a empresa atenda a todas as regras da categoria.