Como montar espetinho na porta de bar e negociar a parceria
Aprenda como montar espetinho na porta de bar com autorização do dono. Veja como negociar a parceria, dividir clientes e garantir lucro para os dois lados.
Por Na Brasa. Publicado em . 11 min de leitura.
Resposta curta: Montar espetinho na porta de bar exige uma parceria onde os dois lados ganham: você atrai clientes com o cheiro da carne e o dono do bar lucra vendendo mais bebida, já que o cliente não vai embora quando bate a fome. Para funcionar, converse com o dono fora do horário de pico, defina regras claras sobre o acerto do caixa e combine o uso da energia e do banheiro para evitar qualquer conflito no dia a dia.
Trabalhar na rua vendendo churrasquinho é sempre um desafio de ponto. Você precisa de fluxo de pessoas. O bar de bairro já tem o fluxo de pessoas, as mesas, as cadeiras, a bebida gelada e o banheiro, mas muitas vezes não tem estrutura para manter uma cozinha funcionando, comprar carne, evitar desperdício e contratar um chapeiro ou churrasqueiro.
É aí que entra o que chamamos de venda casada informal. Você e o dono do bar não são sócios no papel, mas no dia a dia um levanta o faturamento do outro. O cliente sente o cheiro da carne na brasa, encosta para comer e pede uma cerveja. O cliente que já estava bebendo no bar sente fome e, em vez de ir embora para jantar, pede um espetinho e continua bebendo por mais duas horas. É a combinação perfeita.
Mas para colocar a sua churrasqueira na calçada de outra pessoa sem gerar atrito, é preciso muita conversa, profissionalismo e regras claras. Se você está pensando em assumir um ponto desses, veja o passo a passo completo de como negociar, como fechar o caixa e como manter essa parceria durando anos.
Quais são as vantagens dessa parceria para o dono do bar?
Antes de abordar qualquer dono de bar, você precisa entender muito bem o que ele ganha com isso. Se você chegar apenas pedindo um favor, a resposta será não. Você precisa chegar oferecendo uma solução para o negócio dele.
A principal dor de um dono de bar pequeno é que manter uma cozinha aberta custa muito caro. Ele precisa ter alvará específico, lidar com o risco de a carne estragar na geladeira, comprar gás, limpar chapa e pagar o salário de alguém só para fritar porções. Quando você monta a sua barraca na porta dele, ele resolve todos esses problemas de uma vez só:
- Retenção de clientes: O cliente bebe três cervejas, sente fome e diz "vamos embora jantar". Com você na porta, ele come um espetinho de contrafilé e bebe mais três cervejas. O lucro do bar aumenta.
- Custo zero de operação: O dono do bar não precisa comprar carvão, não precisa temperar carne, não gasta com o palito de madeira e não corre o risco de tomar prejuízo se chover e o movimento for fraco. O risco da comida é 100% seu.
- Fim da fumaça no salão: Fazer churrasco dentro de um comércio fechado ou pequeno empesteia o ambiente e os clientes. Você estando na calçada, a fumaça sobe para a rua, e o cheiro bom atrai quem está passando de carro ou a pé.
- Atração de novo público: Muita gente sai de casa de noite só para buscar o jantar. O cliente para o carro, pede três espetinhos para levar para casa e, enquanto espera você assar, acaba comprando um refrigerante ou uma cerveja no balcão do bar. Você pode até avaliar como definir um preço de combo de espetinho com cerveja em conjunto com o dono.
Como abordar o dono do bar para propor a parceria?
Não chegue na sexta-feira à noite, com o bar lotado, tentando conversar com o proprietário enquanto ele serve mesas e fecha contas. Ele não vai te dar atenção e vai achar que você é mais um problema para ele resolver.
A abordagem precisa ser estratégica. Siga estes passos:
1. Escolha o bar certo
Evite bares que já têm uma cozinha forte, que vendem jantares completos, hambúrgueres ou muitas porções de carne. O dono vai ver você como um concorrente que vai roubar o cliente das porções dele, que têm uma margem de lucro muito alta. Procure distribuidoras de bebidas que colocam mesas na rua, lojas de conveniência de bairro ou bares tradicionais que servem no máximo um amendoim ou um salgadinho de pacote.
2. Vá no horário de menor movimento
Terça ou quarta-feira, por volta das 16h ou 17h, quando ele está abrindo as portas ou arrumando o salão. Apresente-se, seja educado e vá direto ao ponto. Diga: "Amigo, percebo que seu bar tem um movimento ótimo de bebida, mas não tem comida quente. Eu trabalho com espetinhos de qualidade e queria te propor uma parceria para a gente segurar o seu cliente aqui por mais tempo".
3. Leve uma amostra do seu trabalho
Não chegue de mãos vazias. Asse os seus três melhores espetos (uma carne bovina macia, uma medalhão de frango bem temperado e um pão de alho) e leve em uma embalagem térmica para ele provar. Se a sua carne for dura ou sem tempero, a parceria morre no primeiro contato. O dono do bar precisa ter certeza de que você tem qualidade, pois o seu produto vai estar associado ao estabelecimento dele.
4. Apresente suas regras de higiene
O maior medo de quem cede a calçada é a sujeira. Prometa e cumpra: diga que você traz o seu próprio tapete para não pingar gordura no chão, o seu próprio latão de lixo com saco reforçado, e que, no final do turno, você varre e lava o seu pedaço de calçada. Manter a higiene na barraca é a chave para o dono do bar nunca pedir para você sair.
Como calcular o repasse ou aluguel do espaço?
Existem três formas principais de combinar a parte financeira dessa parceria. Cada dono de bar trabalha de um jeito, então vá preparado para negociar.
| Modelo de Parceria | Como Funciona | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|---|
| Troca de Fluxo (Custo Zero) | Você não paga nada. Ele lucra na bebida, você lucra na carne. | Todo o lucro do espeto fica no seu bolso. Parceria mais justa. | O dono pode achar que está "perdendo dinheiro" ao ceder o espaço e a energia. |
| Taxa Fixa Semanal/Mensal | Você paga um valor fixo (Exemplo: R$ 50 por semana) pela luz, água e calçada. | Você sabe exatamente qual é o seu custo fixo, faça chuva ou faça sol. | Nos dias de chuva, em que você não vende nada, a taxa fixa tira sua margem. |
| Porcentagem das Vendas | O bar cobra de 10% a 15% do valor total que você vende. | Se chover e você não vender, você não paga nada. O dono vira seu vendedor. | Exige um controle muito rígido de comandas para não haver desconfiança nos números. |
O modelo ideal para começar é a Troca de Fluxo. Argumente que você já tem os seus custos com mercadoria e carvão, e que a presença da barraca vai dobrar a venda de cerveja dele nas mesas. Se ele fizer muita questão, ofereça pagar uma taxa pequena de ajuda de custo apenas para cobrir a energia elétrica (se você ligar lâmpadas na tomada dele) e a água (se você precisar usar a pia ou o banheiro).
Não pague valores absurdos de aluguel por um pedaço de calçada. Se o custo ficar alto demais, é mais barato você pagar a taxa de uso de solo para ambulante direto na prefeitura em uma praça pública da sua cidade.
Quem recebe o dinheiro: separar o caixa ou juntar tudo?
Esse é o ponto onde mais amizades terminam. Um cliente senta, bebe quatro cervejas (R$ 40) e come quatro espetinhos (R$ 32). Na hora de ir embora, ele quer pagar tudo junto no cartão de crédito, de uma vez só. Como vocês resolvem isso?
Existem dois caminhos de operação:
Caixa totalmente separado (Recomendado)
Você tem a sua maquininha, o seu troco em dinheiro e o seu Pix impresso em um display. O dono do bar tem o dele. Quando o cliente pede o espeto, você assa, entrega na mesa e cobra na hora. "Senhor, são R$ 8 do espeto, pode passar aqui?". A bebida ele acerta com o bar depois. A vantagem é que o seu dinheiro cai direto na sua conta, sem depender do dono do bar para te repassar. A desvantagem é que o cliente às vezes acha chato ter que passar o cartão duas vezes.
Caixa unificado com o bar (Comandas)
O dono do bar entrega uma comanda para espetinho e bebida na mesa do cliente. O cliente pede o espeto para você, você anota o pedido e lança na comanda do bar. No final, o cliente paga tudo no caixa do bar. O grande problema aqui são as taxas do cartão. Se o cliente passou R$ 32 dos seus espetos na maquininha do bar no crédito, o bar vai pagar a taxa dessa venda.
Exemplo: Se a taxa de crédito da maquininha do bar é de 4%, o dono do bar vai descontar 4% do seu dinheiro antes de te repassar. Em vez de R$ 32, você recebe R$ 30,72. Se vocês não combinarem quem vai repassar a taxa da maquininha no espetinho, o dono do bar vai ter prejuízo pagando a taxa do seu produto, e logo ele encerra a parceria.
Neste modelo de caixa unificado, a organização tem que ser de ferro. Você não pode anotar em papel de pão e perder no fim da noite. É exatamente aqui que a tecnologia salva o seu negócio.
Com o app Na Brasa, você consegue registrar todas as suas vendas divididas por mesa, sem precisar de internet no momento (ele funciona offline e sincroniza depois). Chega no fim da noite, o aplicativo te dá o relatório: "Você vendeu R$ 300 para o caixa do bar e R$ 150 direto na sua maquininha". Você bate os números com o fechamento de caixa do bar, confere a diferença do que era esperado e do que foi contado, e o acerto acontece em cinco minutos, sem desconfiança. E o melhor: você pode usar a função de teste grátis por 4 dias e depois pagar apenas R$ 29,90 por mês para ter todo o controle, inclusive criando logins separados se você colocar um funcionário na churrasqueira enquanto o dono do bar gerencia o salão.
O que a prefeitura exige para trabalhar na frente do bar?
Um erro muito comum é achar que, como você está na frente de um bar legalizado, você não precisa de documentação. O alvará de funcionamento do bar cobre apenas o interior do estabelecimento, da porta para dentro.
A calçada é espaço público. Quem fiscaliza a calçada é o setor de posturas e ordenamento urbano da sua cidade. Se um fiscal da prefeitura passar, ele vai exigir o seu alvará de vendedor ambulante ou a sua permissão de uso do espaço público. Se você não tiver, a sua mercadoria pode ser apreendida, e o dono do bar não pode fazer nada para impedir.
Além disso, como você mexe com carne crua e calor, você precisa estar dentro das regras da vigilância sanitária para ambulante. Verifique na prefeitura da sua cidade quais são os documentos exigidos. Geralmente, com a abertura de um MEI (Microempreendedor Individual), você já consegue solicitar o alvará provisório e o curso de manipulação de alimentos.
Como evitar dor de cabeça com clientes bêbados e fiado?
O bar atrai clientes fantásticos, mas atrai também clientes alcoolizados. Alguns perdem a linha na hora de pedir e, principalmente, na hora de pagar.
Se um cliente cativo do bar consome muito e sempre marca na famosa caderneta do dono, uma hora ele vai tentar comer os seus espetinhos e dizer "marca aí na minha conta do bar". Muito cuidado com isso.
O seu controle de estoque precisa ser rígido. Você levou 100 espetos e voltaram 10. Você tem que ter o dinheiro de 90 espetos no caixa. Se o dono do bar autorizar o fiado para o cliente dele, a dívida do cliente é com o bar. A dívida do bar passa a ser com você. Exija que o dono do bar pague os seus espetos no fim da noite, e ele que se acerte com o cliente dele depois. Nunca assuma o risco do calote de alguém que você não conhece. Manter um controle de fiado misturado com o do bar é a receita certa para a falência da sua barraca.
Usando o Na Brasa, você consegue registrar as vendas pendentes de pagamento (fiado) direto no sistema e até enviar um lembrete com valor pelo WhatsApp para a pessoa ou para o dono do bar, deixando tudo profissional.
Próximo passo
A parceria com um bar é, sem dúvida, o jeito mais rápido e seguro de garantir movimento constante para quem está começando na brasa. Se você já encontrou o bar perfeito e conversou com o proprietário, o próximo passo é profissionalizar o seu atendimento. Pare de anotar pedido de mesa no grito e de esquecer quem pagou o quê. Use um sistema PDV para ambulante direto no navegador do seu celular, controle o seu estoque e veja o seu dinheiro render de verdade, fechando a noite em paz e com o lucro garantido no bolso.
Perguntas frequentes
Como pedir para montar espetinho na porta do bar?+
Vá ao bar em um dia de movimento fraco, como terça ou quarta-feira, leve alguns espetinhos prontos para o dono provar e mostre como a sua carne vai segurar o cliente bebendo por mais tempo no estabelecimento dele.
Preciso pagar aluguel para o dono do bar?+
Varia de acordo com a negociação. Alguns donos não cobram nada porque ganham na venda de bebidas. Outros cobram uma taxa fixa semanal pela energia e uso do banheiro, ou pedem uma porcentagem das suas vendas.
Quem recebe o dinheiro do cliente?+
O ideal é que você tenha a sua própria maquininha e caixa, cobrando o cliente direto na barraca. Se o bar trabalhar com comandas integradas, o dono recebe tudo e faz o acerto de contas com você no final da noite, descontando as taxas do cartão.
O bar tem que liberar o uso do banheiro para meus clientes?+
Se o cliente estiver consumindo bebida do bar, ele já é cliente do estabelecimento e tem direito ao banheiro. Se ele comprar só o seu espetinho para comer na rua, isso deve ser conversado na hora de fechar a parceria.
Posso vender bebida na minha barraca na porta do bar?+
A regra de ouro dessa parceria é nunca competir com o dono do bar. Se você está na porta dele aproveitando o fluxo, o acordo padrão é que você vende a comida e ele vende a bebida.
O que a prefeitura exige para trabalhar na frente do bar?+
Você precisará do alvará de ambulante para atuar na calçada e seguir as regras da vigilância sanitária. A documentação do bar não cobre a sua barraca na rua. Verifique as normas na prefeitura da sua cidade.
O que fazer se o cliente do bar quiser marcar o espetinho no fiado?+
Evite misturar o seu fiado com o do bar. Se o dono do bar liberar o fiado para um cliente dele, a dívida passa a ser do bar com você. O dono do bar deve pagar você pelo espeto no fechamento do caixa.