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Cobrar taxa do cartão no espetinho: repassar ou absorver?

Entenda se você deve cobrar a taxa do cartão no espetinho do cliente ou absorver no preço. Compare o impacto nas vendas e na sua margem de lucro real.

Por Na Brasa. Publicado em . 12 min de leitura.

Resposta curta: A lei permite cobrar a taxa do cartão no espetinho por meio de preços diferentes para dinheiro e crédito. A decisão entre repassar ou absorver depende da sua estratégia: repassar a taxa protege o seu lucro em cada palito vendido, mas pode afastar compras de impulso. Absorver a taxa reduz o lucro individual, mas costuma aumentar o volume total de vendas da barraca no fim da noite, compensando a diferença.

Vender na rua mudou. Há alguns anos, quem parava na sua barraca de espetinho tinha dinheiro trocado no bolso. Hoje, a maioria dos pagamentos acontece em um pedaço de plástico ou pela tela do celular. O problema é que a maquininha não trabalha de graça, e a porcentagem que ela desconta a cada venda precisa sair do bolso de alguém.

O assador de rua se depara então com um dilema diário: se ele cobrar a taxa do cliente, corre o risco de perder a venda. Se ele assumir a taxa, o dinheiro que falta no fim do mês sai direto do próprio bolso. Essa conta não pode ser feita no chute, porque um erro de poucos centavos por palito, multiplicado pelos milhares de espetos vendidos no mês, representa o pagamento de uma conta de luz inteira.

O que diz a lei sobre cobrar taxa do cartão no espetinho?

A primeira dúvida de quem trabalha na rua é sobre a legalidade de cobrar valores diferentes. É permitido por lei ter preços diferentes dependendo da forma de pagamento. Essa regra foi estabelecida em 2017 no Brasil. Você pode vender o mesmo espetinho de carne por um valor no dinheiro e por um valor maior no cartão de crédito ou débito.

No entanto, a exigência oficial dos órgãos de defesa do consumidor é a transparência. Se você for praticar preços diferentes, a informação precisa estar totalmente clara na sua placa ou cardápio antes de o cliente fazer o pedido. Não é permitido que o cliente coma o espetinho achando que custa um valor e, na hora de passar o cartão, seja surpreendido por um acréscimo não avisado.

Para ter certeza sobre exigências locais de placas e avisos, recomenda-se verificar as orientações do Procon da sua cidade ou ler as cartilhas oficiais de órgãos como o Sebrae. Regras estaduais podem exigir tamanhos específicos de fonte nas placas para esse tipo de aviso.

O que acontece quando você repassa a taxa para o cliente?

Quando você decide cobrar a taxa do cartão no espetinho, transferindo esse custo diretamente para o cliente, a sua margem de lucro (que é o dinheiro livre que sobra para você depois de pagar todos os custos do negócio) fica protegida. O seu lucro em dinheiro será exatamente o mesmo do seu lucro no cartão.

Porém, a venda de espetinho de rua é, na maioria das vezes, uma venda de impulso. O cheiro da fumaça chama a atenção, o cliente encosta o carro ou para a bicicleta e pede. Se ele olha para a placa e vê que no dinheiro custa R$ 8,00, mas no cartão vai para R$ 8,50 ou R$ 9,00, cria-se uma barreira invisível.

Muitos clientes sentem que estão sendo "punidos" por usar o cartão. O impacto direto disso no volume de vendas pode ser severo. O cliente que ia comer três espetos pode acabar comendo apenas dois para fechar a conta dentro de um valor mental que ele estipulou, ou pior, pode agradecer e ir embora procurar uma barraca que não cobre a diferença. A longo prazo, a proteção da margem no palito pode custar caro se o movimento da barraca cair.

Como funciona absorver a taxa da maquininha no preço base?

Absorver a taxa significa que você define um preço único para o seu espetinho, independente de como o cliente vai pagar. Se é R$ 9,00, é R$ 9,00 no dinheiro, no débito, no crédito e no Pix.

Para que isso não quebre o seu negócio, você não pode simplesmente ignorar a taxa. Você precisa pegar a média de taxas que a maquininha cobra, somar aos custos de carne, carvão, palito e acompanhamentos, e só então formar o seu preço de venda. Dessa forma, você paga a maquininha usando o próprio preço do produto, não cortando o seu lucro.

A grande vantagem de absorver a taxa em um preço único é a agilidade e a satisfação do cliente. Na correria de uma sexta-feira à noite, não precisar explicar diferença de preço agiliza o atendimento e não quebra a expectativa de quem chegou com fome. No fim das contas, a sensação de que "o preço é um só" passa mais profissionalismo para o seu ponto.

Qual é o impacto real das taxas na sua margem?

Para entender o peso dessa decisão, precisamos olhar os números frios. Imagine que você vende o seu espetinho de boi a R$ 8,00. O seu CMV (Custo da Mercadoria Vendida, que soma a carne crua, o palito, a porção de farofa e a embalagem) é de R$ 4,50.

Se o cliente paga em dinheiro físico, sobram R$ 3,50 livres para pagar suas contas fixas e formar o seu lucro. Mas veja o que acontece quando a maquininha entra na conta, usando como exemplo hipotético uma taxa de crédito de 5%:

Modelo de Cobrança Preço na Placa Taxa da Máquina (Exemplo 5%) Cliente Paga Você Recebe Líquido Dinheiro que sobra (tirando CMV R$ 4,50)
Absorver sem ajustar preço R$ 8,00 único R$ 0,40 R$ 8,00 R$ 7,60 R$ 3,10
Repassar taxa exata R$ 8,00 (din) / R$ 8,40 (cartão) R$ 0,42 R$ 8,42 R$ 8,00 R$ 3,50
Absorver com preço ajustado R$ 9,00 único R$ 0,45 R$ 9,00 R$ 8,55 R$ 4,05

Observe a primeira e a última linha da tabela. Se você mantiver o preço baixo e apenas engolir a taxa, você perde R$ 0,40 em cada palito. Parecem centavos inofensivos, mas se você vende 100 espetos por noite em uma semana de 5 dias, são R$ 800,00 de lucro que a maquininha comeu no mês. Por outro lado, ao ajustar o preço único de forma correta, você ganha mais, mantém a operação simples e o cliente não sente a dor da cobrança extra na hora de encostar o cartão.

Como a maquininha aumenta o ticket total da barraca?

Um ponto crucial a favor de aceitar cartões e absorver as taxas (ou repassar com muito cuidado) é o aumento do ticket médio, que é o valor médio que cada cliente gasta na sua barraca.

Quando o cliente paga com dinheiro vivo, ele está limitado ao que tem no bolso. Se ele tem uma nota de R$ 20,00, ele vai fazer a conta mental para o que dá. No cartão, esse limite desaparece. É nesse momento que as vendas agregadas acontecem. É mais fácil o cliente pedir mais um espeto, incluir uma bebida gelada ou levar porções para a família.

A margem de lucro de bebidas, por exemplo, muitas vezes é excelente e ajuda a compensar qualquer taxa. Entender essa margem bebidas na barraca é fundamental. Você perde alguns centavos na venda da carne no crédito, mas ganha um valor alto vendendo o refrigerante em lata e a cerveja que o cliente não compraria se estivesse com o dinheiro trocado contado.

É permitido colocar um valor mínimo para passar o cartão?

Muitos vendedores de rua tentam contornar a taxa colocando avisos como: "Aceitamos cartão a partir de R$ 15,00". A lógica é simples: as tarifas muitas vezes têm um valor mínimo em centavos cobrado pela adquirente, e passar um valor muito baixo gera prejuízo.

Contudo, a maior parte dos Procons pelo país entende que instituir um valor mínimo para pagamento em cartão configura prática abusiva ou venda casada, pois tira a liberdade de escolha do consumidor de pagar por um produto de baixo valor. Para não trabalhar fora da regra, o melhor caminho, novamente, é ajustar o preço base dos seus produtos, ou usar a calculadora de preço de espetinho para garantir que mesmo a venda de uma única unidade (como um espeto de pão de alho ou queijo) pague os próprios custos se for passada isoladamente na máquina.

Como calcular o preço de venda para não perder dinheiro?

Achar o valor ideal para cobrar pelo seu churrasquinho exige uma matemática de três passos. Se você não fizer isso, pode descobrir tarde demais que trabalhou a noite toda de graça para o fornecedor de carne e para o banco.

1. Conheça seu custo direto

Antes da taxa, some tudo. Pese a carne já limpa, divida pelo rendimento, some o preço do palito, do saquinho plástico, da farinha da farofa e o valor aproximado do carvão gasto por palito. Esse é o custo de produção. Se você erra aqui, erra todo o resto.

2. Calcule a taxa média de uso

Dificilmente você venderá apenas no crédito ou apenas no débito. Analise uma semana de trabalho. Se 40% dos seus clientes pagam no dinheiro, 30% no Pix, 20% no débito e 10% no crédito, a sua taxa média é muito mais baixa do que a taxa máxima do crédito. Você não precisa embutir 5% no preço de todo mundo se apenas uma minoria usa a função de crédito.

3. Ajuste o preço final e teste a aceitação

Com os números na mesa, crie o novo preço de venda com uma folga para o cartão e uma margem saudável de lucro livre. Teste o novo valor. A melhor forma de medir o impacto do novo preço é acompanhar se o ritmo de saída dos produtos caiu ao longo de semanas difíceis, como quando você decide trabalhar em feriados prolongados.

Fazer tudo isso à mão na rua, na frente do fogo, é quase impossível. É por isso que o uso de tecnologia feita para a rua salva o lucro do assador. O aplicativo Na Brasa foi desenhado exatamente para o seu celular. Ele funciona no navegador, sem precisar instalar lojas pesadas. Você cadastra o custo de cada espeto, lança as vendas em dois toques na tela e, ao fechar a noite, o app mostra o lucro real já descontando as taxas da maquininha que você configurou. Você tem um teste grátis por 4 dias e, depois disso, a ferramenta custa apenas R$ 29,90 por mês para tirar todo esse peso da sua cabeça.

Como lidar com pagamentos mistos na barraca?

Um cenário muito comum na rua é a conta dar R$ 35,00 e o cliente dizer: "Tenho vinte em dinheiro, passa os quinze no débito". Se você tem preços separados por forma de pagamento, cobrar essa conta mista vira um quebra-cabeça na frente de uma fila de clientes esperando.

Se o espeto tem um valor no dinheiro e outro valor no cartão, qual valor você aplica para cobrar os quinze reais que faltaram? O cliente vai se irritar se você recalcular toda a conta com o valor mais caro só porque parte foi no plástico. Quando o preço é unificado e o custo da máquina já foi previamente absorvido na sua estratégia de precificação, esse problema deixa de existir.

Lidar com a complexidade do troco e de múltiplas maquininhas também afeta quem trabalha com você. Na hora de pagar ajudante de espetinho por dia ou comissão, se a comissão dele for baseada no valor bruto da venda e a sua taxa de maquininha não estiver calculada, você está tirando dinheiro do seu próprio bolso para pagar a comissão dele em cima de uma taxa do banco.

E sobre o uso do Pix no espetinho de rua?

O Pix revolucionou o comércio de rua porque o dinheiro cai na hora e, na maioria esmagadora das vezes para pessoas físicas (PF) e microempreendedores individuais (MEI), não há taxas. Ele resolveu a falta de troco e não tem o custo do cartão de crédito.

No entanto, é preciso estar atento se você utiliza uma conta empresarial (PJ) pesada ou se recebe o Pix pelo QR Code gerado direto na tela da maquininha de cartão. Algumas empresas cobram taxas percentuais ou fixas para recebimentos de Pix gerados nos aparelhos, tratando-os como vendas normais. Verifique o seu contrato e tire extratos frequentes. Além disso, a agilidade do Pix na rua exige atenção para não liberar mercadorias para comprovantes agendados, sendo vital conhecer a prevenção de golpes com pix para não amargar prejuízos silenciosos no fim do expediente.

Outro detalhe é a compra de insumos. Se o seu lucro está apertado porque você não calculou as taxas, você sofre o impacto dobrado na hora de comprar carne para espetinho todo dia ou semanal. Com pouco fluxo de caixa, você é obrigado a comprar picado todo dia, pagando mais caro pelo quilo da carne no açougue de esquina em vez de negociar cortes maiores direto no distribuidor.

Repassar ou absorver: qual é a melhor decisão final?

A decisão de cobrar taxa do cartão no espetinho não é puramente matemática, ela é de posicionamento do seu ponto.

Você deve repassar a taxa se:

  • A sua margem de lucro original já for extremamente espremida e um aumento geral de preços expulsaria os clientes do bairro.
  • O seu público for muito fiel e o seu produto for tão bom que eles aceitam pagar a diferença sem reclamar do incômodo.
  • A maioria gigantesca das suas vendas for em dinheiro, e o cartão for apenas uma exceção na sua semana.

Você deve absorver a taxa (ajustando o preço geral) se:

  • A maior parte do dinheiro que entra na sua barraca vier de cartões e Pix.
  • Você quiser escalar o negócio, atender mais rápido e evitar confusões no momento da cobrança mista.
  • Você utilizar comandas e marcações de consumação, onde o acerto no fim precisa ser o mais liso e livre de atritos possível.

Com a ferramenta certa nas mãos, você não precisará adivinhar. Você pode usar sistemas modernos no celular, que até funcionam offline se a internet da praça cair e sincronizam depois. O sistema Na Brasa, por exemplo, permite que você faça lançamentos com ou sem internet e, quando o caixa é fechado, o relatório mostra o esperado versus o contado e apura as taxas pagas na noite.

Próximo passo

Calcule o custo atual do seu espetinho mais caro e do mais barato da barraca. Veja quanto a sua maquininha desconta no crédito à vista. Depois, simule como ficaria o seu preço de venda subindo R$ 1,00 ou R$ 0,50 no valor final. Ajuste a sua placa de forma clara e veja a reação do público por duas semanas. Acompanhe os números reais e deixe os relatórios mostrarem se o lucro melhorou no fim do mês.

Perguntas frequentes

Posso cobrar taxa do cartão no espetinho por lei?+

Pode. A legislação permite cobrar preços diferentes para pagamentos em dinheiro e pagamentos em cartão de crédito ou débito, desde que o cliente seja avisado antes.

Como repassar a taxa da maquininha para o cliente?+

A forma mais comum é ter um preço base para pagamentos em dinheiro ou Pix e um preço levemente superior (com acréscimo) para pagamentos no cartão.

Vale a pena absorver a taxa do cartão no espetinho?+

Vale a pena se isso aumentar o seu volume total de vendas e o seu preço base já cobrir esse custo da maquininha sem destruir o lucro que sobra por palito.

Qual o risco de cobrar a taxa do cliente na rua?+

O maior risco é o cliente de impulso achar o espetinho caro na hora de pagar, desistir da compra ou comprar menos unidades porque o orçamento dele está contado.

Como incluir a taxa do cartão no preço do espeto?+

Calcule o custo total do espetinho, defina o lucro que você quer ganhar em cima dele e adicione a porcentagem média que a sua maquininha desconta nas vendas.

O Pix tem taxa na venda de espetinho de rua?+

Para chaves de pessoa física, o Pix normalmente é isento. Para contas empresariais atreladas a maquininhas, pode haver cobrança. Verifique as regras do seu banco.

Devo ter duas placas de preço no espetinho?+

Se decidir repassar a taxa com preços diferentes, a placa precisa mostrar claramente qual é o valor no dinheiro e qual é o valor no cartão para evitar atritos.

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