Na Brasa

O que fazer se o sangue do frango vazou na carne de boi?

Descubra o que fazer se o sangue do frango vazou na carne de boi na sua caixa térmica, os riscos da contaminação cruzada e como organizar os potes.

Por Na Brasa. Publicado em . 11 min de leitura.

Resposta curta: Se o sangue do frango vazou e molhou diretamente a carne de boi crua na sua caixa térmica, você deve descartar os espetos de boi atingidos. O frango carrega bactérias graves que causam intoxicação. Como o espeto de boi muitas vezes é servido mal passado ou ao ponto, o fogo não atinge a temperatura necessária no miolo da carne para matar a bactéria do frango. Para evitar isso, guarde o frango sempre nos potes do fundo da caixa e em recipientes com tampa de vedação firme.

A cena é comum na vida de qualquer vendedor de rua: você passa a tarde toda cortando e espetando as carnes. Na pressa para montar a barraca, coloca os espetos em saquinhos plásticos ou potes simples, empilha tudo na caixa de isopor com gelo solto e vai para o ponto de venda. No meio da noite, o gelo derrete e, quando você puxa o saco de carne de boi, percebe que o caldo do frango escorreu e encharcou tudo.

Muitos vendedores tentam "salvar" a mercadoria passando uma água ou deixando o espeto de boi mais tempo na brasa. Isso é um erro gravíssimo que pode destruir o seu negócio da noite para o dia.

A mistura do caldo do frango cru com outras carnes é um dos maiores perigos da comida de rua. Quando você entende como empilhar os potes corretamente e porque esse vazamento acontece, você para de perder mercadoria e garante a segurança de quem compra no seu espetinho.

Por que o caldo do frango cru é tão perigoso?

O problema central se chama contaminação cruzada. Isso acontece quando as bactérias de um alimento cru perigoso passam para outro alimento.

O frango cru é naturalmente portador de bactérias resistentes, como a Salmonella e a Campylobacter. Quando você come frango, o fogo precisa cozinhar a carne por inteiro. Ninguém come espetinho de frango mal passado, justamente porque a carne precisa ficar totalmente branca por dentro para ser segura.

O problema é a carne de boi. O cliente do espetinho de alcatra, contrafilé ou picanha geralmente pede a carne "ao ponto" ou "mal passada". O centro da carne de boi fica vermelho e suculento. Se o caldo do frango molhou essa carne de boi crua, a bactéria da Salmonella entra nas fibras do boi. Quando você leva esse espeto para a brasa, a parte de fora assa, mas o miolo vermelho não atinge a temperatura suficiente para matar a bactéria que veio do frango.

O resultado é que o cliente ingere a bactéria viva. Ele vai ter cólicas, febre, diarreia forte e vômito no dia seguinte. E se o cliente descobre que o problema veio da sua barraca, o prejuízo é enorme. Para entender mais sobre como lidar com clientes passando mal, veja o post cliente teve intoxicação alimentar.

O que fazer na hora que perceber o vazamento?

Se você abriu a caixa térmica e viu que o sangue do frango vazou na carne de boi, não tente mascarar o problema. A regra da vigilância sanitária é muito clara: carne que sofreu contaminação cruzada com caldo de frango cru deve ser descartada.

Alguns vendedores tentam levar a carne para a pia. Nunca faça isso. A água não tem o poder de matar bactérias; ela apenas empurra os micro-organismos mais fundo para dentro das fibras da carne e espalha a sujeira para a sua pia e para as suas mãos. Leia mais detalhes sobre isso no guia pode lavar frango e carne antes de cortar.

Outra péssima ideia é decidir assar a carne contaminada "até virar sola de sapato" para tentar matar a bactéria. Mesmo que você queime a carne de boi na brasa, além de não garantir 100% que o miolo está seguro, você vai entregar um espeto duro, seco e intragável para o cliente. Um cliente que come carne dura não volta mais.

A ação imediata na barraca é separar os espetos atingidos em um saco de lixo, fechar bem e afastar da área de manuseio para que as moscas não pousem ali e depois voem para a carne limpa.

Como empilhar os potes na caixa térmica para evitar gotejamento?

O vazamento do sangue não é apenas uma questão de azar, é uma questão de gravidade e de organização da sua caixa térmica. O líquido sempre escorre para baixo. Por isso, a regra de ouro da gastronomia para geladeiras e caixas de isopor é organizar as carnes pelo grau de cozimento exigido.

O alimento que exige maior temperatura de cozimento para ser seguro fica na parte mais baixa. O que se come cru ou já está cozido fica no topo.

Veja a tabela de organização para caixas térmicas e isopores de vendedores ambulantes:

Posição na Caixa Térmica Tipo de Produto Risco se vazar sobre os outros
Camada mais alta (Topo) Pão de alho, queijo coalho, espetos pré-cozidos (salsichão), vinagrete em potes fechados. Alimentos prontos para consumo. Não podem receber gotejamento de carnes cruas em hipótese alguma.
Camada do meio (Cima) Carne de Boi (Alcatra, Contrafilé, Picanha, Coração). São servidas ao ponto. Se vazarem no porco ou frango, o risco é menor, pois o porco e frango serão muito bem passados.
Camada do meio (Baixo) Carne de Porco (Lombo, Pernil, Panceta, Linguiça suína crua). Exigem cozimento completo. Ficam abaixo do boi, mas acima do frango.
Fundo da caixa (Base) Frango (Peito, Sobrecoxa, Coração de frango marinando, Meio da asa). Maior carga bacteriana. O sangue que vaza daqui fica retido no fundo e não cai em cima de nenhuma outra carne.

Seguindo essa tabela rigorosamente todos os dias, mesmo que o pote do frango vaze ou o saquinho rasgue, o sangue vai escorrer apenas para o fundo da caixa de isopor, sujando o plástico, mas sem tocar na carne de boi, no pão de alho ou no queijo coalho.

Qual é o recipiente correto para transportar os espetinhos?

A principal causa de sangue vazando na caixa de isopor é o uso de saquinhos plásticos baratos. O palito de bambu do espetinho é pontiagudo e afiado. Durante o transporte, a caixa balança no carrinho ou no porta-malas do carro, os palitos furam o saco plástico, e o sangue começa a escorrer.

Para trabalhar com segurança, você precisa investir em potes de plástico reforçados com tampa. Os potes ideais são retangulares e largos o suficiente para acomodar o comprimento do palito (geralmente entre 25 cm e 30 cm) deitado de forma organizada.

Se você não tiver dinheiro para comprar potes grandes herméticos (com borracha de vedação) logo no começo, use caixas organizadoras de plástico duro e empilhe-as de forma que a tampa da caixa de baixo suporte o peso da caixa de cima. Se for inevitável usar sacos plásticos no início do negócio, use sacos grossos e coloque o frango sempre no fundo.

O problema do gelo derretido e a piscina de sangue

A água é o melhor veículo para transportar bactérias. Se você joga gelo solto em escamas ou cubos diretamente em cima dos sacos de carne na sua caixa térmica, você está criando uma bomba-relógio.

Durante a noite, o calor da rua faz esse gelo derreter. A água escorre para o fundo do isopor e começa a subir de nível. Se o fundo da caixa tiver caldo de frango que vazou, essa água do gelo se mistura com o sangue cru, formando um caldo bacteriano escuro.

Se os seus espetos de boi ou de queijo coalho estiverem no fundo do isopor mal vedados, essa "piscina" de água suja vai inundar os saquinhos de baixo para cima. Ou seja, mesmo que o frango não tenha pingado de cima para baixo, a água da enchente no fundo do isopor faz a contaminação reversa.

Para resolver isso, a técnica correta é nunca deixar água solta na caixa térmica. Use gelo reciclável (gelo gel) rígido, ou encha garrafas PET de água, tampe bem forte e congele no seu freezer de casa. A garrafa PET congelada segura a temperatura da caixa o gelo derrete dentro da garrafa, sem inundar a caixa de isopor. Para entender mais sobre a conservação correta ao longo da noite, leia o artigo qual a temperatura ideal da caixa de isopor.

Além disso, é fundamental monitorar se as garrafas PET estão segurando o frio adequado; veja dicas no post sobre termometro culinário para churrasco.

Como um simples vazamento acaba com o seu lucro da noite

Jogar carne fora dói no bolso de qualquer vendedor. Trabalhar com espetinho na rua exige margens calculadas na ponta do lápis. Quando você perde produtos por contaminação, você não perde apenas o preço que pagou no açougue, você perde o tempo de preparo, o tempero, o palito e o lucro que aquela carne traria.

Exemplo: se você pagou R$ 40 no quilo da alcatra, limpou a carne e montou os espetos, o seu custo real de carne por espeto chega facilmente a R$ 4,50 a R$ 5,00. Se o sangue do frango vazou e contaminou 20 espetos de boi na caixa, são cerca de R$ 100 jogados no lixo de uma vez só. Para recuperar esses R$ 100 perdidos, você terá que vender, assar e faturar dezenas de outros espetos apenas para empatar o prejuízo da noite.

Muitos vendedores ambulantes não sabem o quanto perdem de mercadoria todos os meses porque não anotam as perdas no fim do dia. Se a barraca é gerida apenas "de cabeça", o dinheiro some e você não descobre de onde vazou.

O aplicativo Na Brasa foi criado para resolver a rotina de quem vende espetinho na rua. Você faz o controle de estoque pelo próprio celular, marcando quantos espetos levou e quantos voltaram ou foram descartados. O sistema roda direto no navegador do celular, funciona offline se a internet da rua falhar, e sincroniza os dados assim que voltar o sinal. Sem planilhas difíceis. Você lança as comandas, controla o fiado com lembrete por WhatsApp e o app já entrega o fechamento de caixa mostrando o lucro real (tirando a taxa da maquininha). Você pode testar grátis por 4 dias, e depois a assinatura é R$ 29,90 por mês. Com menos que o valor de uma perda de carne por contaminação cruzada, você paga o sistema pelo ano inteiro.

O que acontece em caso de fiscalização da vigilância sanitária?

Regras de saúde pública variam bastante de cidade para cidade, mas o princípio da contaminação cruzada é fiscalizado no Brasil inteiro. Se um fiscal da vigilância sanitária chegar de surpresa na sua barraca de rua e inspecionar a sua caixa térmica, ele vai observar a temperatura e a separação dos alimentos.

Se ele encontrar sacos furados, sangue de frango misturado na água suja no fundo do isopor, ou carne crua mal acomodada gotejando em cima do queijo coalho, a consequência é imediata. A mercadoria contaminada é sumariamente apreendida e destruída com produto químico na sua frente para evitar que seja vendida. A barraca recebe advertência e, dependendo da cidade, pode gerar multas severas e a cassação da sua licença de ambulante. Se você tem dúvidas sobre as normas específicas da sua região, procure a prefeitura da sua cidade ou a orientação do Sebrae local.

Como limpar a caixa térmica de isopor após o vazamento?

Se a tragédia aconteceu, de nada adianta jogar a carne fora se você não descontaminar o ambiente. Caixas de isopor são porosas. O material absorve o sangue e o odor do frango com extrema facilidade. Se você apenas passar um pano úmido, as bactérias vão se multiplicar no plástico ou no isopor ao longo do dia seguinte e vão contaminar a próxima remessa de carne que você guardar lá dentro.

A limpeza deve ser rigorosa. Tire tudo de dentro, lave a caixa com água corrente e sabão neutro para remover a sujeira visível (gordura e sangue). Em seguida, prepare uma solução desinfetante: para cada litro de água, use uma colher de sopa de água sanitária. Esfregue toda a parte interna da caixa com uma esponja macia, deixe agir por no mínimo 15 minutos para que o cloro elimine as bactérias, e enxágue abundantemente. Deixe secar com a tampa totalmente aberta, em um local ventilado. O cheiro forte desaparecerá e a caixa estará segura de novo. Leia mais sobre higienização de equipamentos no post sobre como tirar cheiro ruim da caixa térmica.

Próximo passo

A segurança alimentar da sua barraca de espetinhos começa na hora em que você organiza as coisas em casa. Revise a sua caixa térmica hoje mesmo. Substitua gradualmente os saquinhos plásticos finos por potes com tampa bem vedada, troque o gelo solto por garrafas de água congeladas e treine o seu ajudante para nunca colocar frango por cima da carne vermelha. Uma pequena mudança no jeito de arrumar a caixa garante o sabor do seu churrasco e blinda o seu negócio contra perdas financeiras e problemas de saúde na rua.

Perguntas frequentes

O que acontece se o sangue do frango pingar na carne de boi?+

O sangue do frango cru carrega bactérias perigosas, como a Salmonella. Se esse caldo pingar na carne de boi, ocorre a contaminação cruzada. Como a carne de boi costuma ser servida ao ponto ou mal passada, as bactérias do frango não morrem no fogo e podem intoxicar o cliente.

Posso lavar a carne de boi que sujou com sangue de frango?+

Não. Lavar a carne de boi contaminada não remove as bactérias que já penetraram nas fibras. Além disso, a água espalha as bactérias para a pia, facas e outros espetos, piorando a contaminação.

Qual é a ordem certa para empilhar as carnes na caixa térmica?+

A regra é colocar o que precisa de mais fogo sempre por baixo. Frango cru vai no fundo da caixa. Carne de porco e linguiça ficam no meio. Carne de boi vai na parte de cima. Alimentos prontos, como pão de alho e queijo, ficam no topo, em potes isolados.

Posso assar a carne de boi bem passada para matar a bactéria do frango?+

Assar a carne de boi até esturricar pode matar a bactéria na superfície, mas o miolo pode continuar contaminado se não atingir a temperatura interna segura. Além disso, servir carne dura e seca queima o nome da sua barraca.

Como evitar que o gelo derretido espalhe o sangue do frango?+

Não use gelo solto na caixa térmica. O gelo derrete, vira uma piscina no fundo, mistura com o sangue do frango e invade os potes de baixo. Use gelo reciclável em gel ou congele garrafas PET de água fechadas.

Como tirar o cheiro de frango podre da caixa térmica?+

Lave a caixa com água e sabão neutro. Depois, faça uma mistura de água com água sanitária (uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água), passe na caixa inteira, deixe agir por 15 minutos, enxágue bem e deixe secar aberta ao sol.

Continue lendo