Na Brasa

Patrocinar time de várzea vale a pena? Como lucrar na beira do campo

Descubra se patrocinar time de várzea vale a pena. O segredo não é só a logomarca na camisa, mas garantir a exclusividade para vender nos jogos em casa.

Por Na Brasa. Publicado em . 11 min de leitura.

Resposta curta: Patrocinar time de várzea vale a pena se você negociar a exclusividade de venda durante os jogos, e não apenas estampar sua marca no uniforme. O verdadeiro lucro vem de ser a única churrasqueira na beira do campo nos domingos de manhã, recuperando o valor investido no patrocínio através do alto volume de vendas para a torcida e os jogadores.

Domingo de manhã, sol a pino, poeira subindo, o juiz apita e a bola rola no campo de terra. Ao redor do alambrado, dezenas ou centenas de pessoas assistem ao jogo. Onde tem gente reunida, tem fome e sede. Para quem trabalha com comida de rua, o futebol amador parece uma mina de ouro.

Mas quando o diretor do time do bairro bate na sua barraca pedindo trezentos reais para colocar o nome do seu espetinho nas costas da camisa 10, a dúvida aparece. Será que colocar dinheiro no futebol local traz cliente para a barraca durante a semana? Ou é um dinheiro que vai embora e nunca mais volta?

A realidade das ruas mostra que apoiar o esporte local é excelente, mas você precisa fazer isso com a mentalidade de um empresário. O segredo para ganhar dinheiro não está no tecido da camisa, mas no posicionamento da sua churrasqueira.

Por que pagar apenas pela logomarca na camisa é um erro?

No marketing tradicional, as grandes empresas pagam pela visibilidade, que é a quantidade de pessoas que vão olhar para o nome da marca. Quando um açougue ou uma loja de material de construção coloca a marca no peito do time de várzea, eles esperam que o torcedor lembre do nome na hora de comprar carne ou cimento no dia seguinte.

Para o vendedor de espetinho de rua, essa lógica não fecha. A margem de lucro do seu negócio é construída em centavos. Se você doar um jogo de uniformes que custa mil reais apenas para ter o seu nome nas costas dos jogadores, você precisará vender centenas de espetinhos a mais no seu ponto fixo, durante a semana, só para pagar esse investimento inicial.

O torcedor que lê "Espetinhos do Zé" na camisa do atacante no domingo de manhã dificilmente vai lembrar de pegar o carro na terça-feira à noite para ir até a sua barraca. A fome dele acontece ali, na beira do campo, na hora do jogo. Se você não estiver lá para vender, a sua logomarca na camisa não vai pagar as suas contas. É por isso que muitos vendedores acham que o patrocínio não dá retorno. Eles estão comprando propaganda, quando deveriam estar comprando um ponto de venda estratégico.

Como negociar o acordo perfeito com a diretoria do time?

Para o patrocínio dar lucro de verdade, você precisa negociar a exclusividade. A exclusividade significa que, em troca do seu apoio financeiro, você será o único vendedor de alimentos autorizado pelo time a atuar nos arredores do campo nos dias em que eles forem os mandantes da partida.

Você deve procurar o presidente, o diretor ou o técnico responsável pela equipe. A conversa precisa ser clara e direta.

Passos para fechar a parceria na várzea

  1. Entenda a necessidade do time: Eles precisam de dinheiro para pagar a taxa de arbitragem? Precisam de um jogo de coletes novos para o treino? Ou estão juntando para a inscrição do principal campeonato da cidade?
  2. Faça a sua oferta: Ofereça cobrir essa despesa específica. Em vez de dar o dinheiro na mão, compre os coletes ou pague a taxa da liga você mesmo.
  3. Imponha a sua condição: Diga que você fará esse investimento com prazer, desde que o time garanta que a sua barraca será a única a vender espetinhos e bebidas no local durante os jogos em casa. Se o campo tiver um bar próprio gerido pela comunidade, negocie para que você tenha a exclusividade das carnes e eles fiquem com as bebidas.
  4. Feche o pacote completo: Amarre o acordo definindo que os jogadores do time também vão comer na sua barraca após o jogo. Muitas vezes, a equipe faz uma vaquinha para o churrasco pós-jogo. Se você for o patrocinador, esse dinheiro da vaquinha precisa ir para o seu caixa.

Essa mesma lógica de buscar locais onde as pessoas ficam muito tempo paradas se aplica a outras estratégias, como montar uma parceria com lava jato, onde o cliente sente fome enquanto espera o carro ficar limpo.

Como calcular se o patrocínio vai dar lucro?

Antes de fechar qualquer valor com o time, você precisa fazer as contas. O investimento inicial não pode asfixiar o caixa da sua barraca principal. O cálculo do ROI (Retorno sobre Investimento) no caso do futebol amador envolve prever quantos jogos o time fará em casa e qual é o consumo médio do público.

Você deve conhecer bem o seu CMV (Custo da Mercadoria Vendida), que é quanto você gasta de carne, palito, carvão e tempero para produzir um espeto, sem contar os gastos fixos.

Veja uma simulação realista. Considere que você pagou R$ 900 em um conjunto de uniformes e o time vai jogar 12 partidas em casa no ano. Seu custo de patrocínio, na prática, é de R$ 75 por jogo.

Item da Conta Valores do Exemplo
Investimento total no time (Uniformes) R$ 900,00
Jogos garantidos no campo (Mandante) 12 jogos
Custo do patrocínio por jogo R$ 75,00
Venda média projetada por jogo 120 espetos
Preço de venda do espetinho R$ 8,00
Faturamento bruto por jogo R$ 960,00
Custo do espetinho (CMV de 45%) R$ 432,00
Lucro bruto por jogo (Vendas menos CMV) R$ 528,00
Lucro líquido (Descontando os R$ 75 do patrocínio) R$ 453,00 por domingo

Exemplo: Valores de custo e venda simulados. O faturamento real depende do público e das vendas de bebida.

Nesse cenário de exemplo, o patrocínio não é uma despesa de marketing perdida. Ele é, na verdade, uma taxa de permissão muito barata (R$ 75 por domingo) para acessar um público comprador que vai deixar mais de quatrocentos reais de lucro no seu bolso a cada partida. É a mesma lógica de pagar para vender espetinho em dia de jogo nos estádios profissionais, mas em menor escala e com muito menos concorrência.

Quais produtos não podem faltar na beira do campo?

O público do futebol amador tem um comportamento de consumo diferente do cliente que vai à sua barraca na rua à noite. No campo, o ambiente é agitado, as pessoas estão prestando atenção no juiz, xingando o adversário ou batendo bumbo. A comida precisa ser rápida, fácil de segurar com uma mão só e muito saborosa.

Os clássicos mandam no pedaço: espetinho de carne bovina, linguiça toscana e coração de frango. Cortes complexos que precisam de faca ou acompanhamentos pesados em pratinhos dificultam a vida de quem está em pé no alambrado.

Para aumentar a sua margem de lucro, invista em opções baratas que saciam rápido. O pão de alho é obrigatório. Outra excelente aposta é o espetinho de medalhão de salsicha, que tem um custo de produção baixíssimo, rende muito bem e atrai desde as crianças até os adultos que querem economizar.

E, claro, não subestime o poder das bebidas. O lucro de uma caixa térmica cheia de cerveja gelada no meio de um domingo ensolarado muitas vezes supera o lucro da própria churrasqueira.

Como organizar a logística da barraca para o jogo?

Trabalhar na várzea exige mobilidade. Na maioria das vezes, você vai chegar de carro, descarregar os equipamentos na beira de um campo de terra, montar tudo rapidamente e desmontar duas horas depois. Você não terá a infraestrutura da sua barraca fixa, como tomada, pia ou cobertura pesada.

Para manter a carne segura até a hora de assar, a cadeia de frio é essencial. Você precisa transportar os espetos congelados ou muito bem refrigerados. O uso de caixas de isopor profissionais ou de uma boa bag térmica para motoboy faz toda a diferença para evitar que a carne estrague no calor do sol da manhã.

A fumaça é sua principal aliada para atrair a torcida. Chegue cedo, pelo menos uma hora antes do jogo começar, e já acenda o fogo. Quando o juiz der o apito inicial, sua churrasqueira já deve estar cheirando longe.

O clima aberto também traz riscos. Uma chuva surpresa no meio de uma final de campeonato pode estragar todo o seu estoque se você não estiver prevenido. Ter uma lona fácil de armar ou um guarda-sol reforçado é vital para lidar com uma tempestade e granizo na barraca sem perder as brasas.

Como controlar o caixa e não tomar calote de jogador?

O ambiente da várzea é de extrema proximidade. O técnico é seu amigo, o goleiro é seu vizinho e o zagueiro acabou de dar um carrinho na lama e encosta na sua barraca pedindo uma água e três espetos. Ninguém ali está carregando carteira no calção de jogo. A frase "marca aí que no fim do jogo a gente acerta" vai ser repetida dezenas de vezes.

O problema do caderninho de papel no meio do jogo é que a folha amassa, suja de carvão e você perde o controle de quem pediu o quê no meio do tumulto do intervalo. É nesse ponto que muita gente perde todo o lucro do patrocínio, entregando carne de graça sem perceber.

A melhor maneira de resolver isso sem ser chato e sem perder vendas é usar a tecnologia a seu favor. O Na Brasa funciona direto no navegador do seu celular (como um aplicativo PWA) e não precisa de internet o tempo todo. Você tem um teste grátis por 4 dias e depois a assinatura é de apenas R$ 29,90 por mês. Com ele, você cadastra o nome do jogador com dois toques e anota a dívida na seção de controle de fiado.

Se o jogador for embora depois da partida sem pagar, você não precisa ficar ligando para cobrar. O próprio aplicativo tem um botão que envia a mensagem de cobrança educada, com o valor exato, direto para o WhatsApp do devedor na segunda-feira. Além disso, no fim do domingo, o sistema faz o fechamento do caixa e mostra se a quantidade de carne que você levou bate com o dinheiro e com os fiados registrados. A taxa da maquininha e do Pix já é descontada automaticamente para você ver o lucro real do evento.

É preciso autorização para trabalhar no campo de terra?

Uma confusão muito comum é achar que, só porque você patrocinou o time do bairro, você é dono da praça pública onde o campo está instalado. O time não tem poder legal para autorizar o uso do espaço público por comerciantes.

Embora em muitas comunidades a fiscalização faça vista grossa aos domingos de manhã, a lei determina que campos em praças ou áreas da prefeitura exigem licença municipal. Você deve ir até a prefeitura da sua cidade ou acessar o portal do empreendedor municipal para consultar as regras sobre comércio ambulante temporário em eventos esportivos.

O time garante a exclusividade moral perante a comunidade local e impede que concorrentes armem barraca colada na deles, mas quem te protege contra a apreensão do seu carrinho por fiscais da prefeitura é apenas o seu alvará ou licença eventual em dia. Não invente regras: vá à prefeitura e tire a sua guia oficial.

E quando o time for jogar fora de casa?

O seu contrato de exclusividade só funciona quando o seu time é o mandante, no campo onde a diretoria tem influência. Quando o time for disputar jogos fora de casa, no bairro vizinho, a regra inverte. Lá, o dono do campo provavelmente já tem os seus próprios vendedores exclusivos.

Nesses dias, vale a pena ir como torcedor, vestir a camisa que você patrocinou e acompanhar os jogadores, mas evite o atrito de tentar ligar a sua churrasqueira no território de outro vendedor. Use esses domingos para descansar ou foque nas vendas do seu ponto fixo noturno. A parceria esportiva se baseia muito no respeito territorial.

Próximo passo

Agora que você já entendeu que patrocinar time de várzea vale a pena apenas quando a negociação envolve exclusividade de vendas, é hora de agir. Descubra quais são os times mais populares da sua região que não têm um bar forte fixo em seus campos. Vá assistir a uma partida neste fim de semana, observe o movimento de pessoas, sinta se o público é consumidor e procure a diretoria no fim do jogo para fazer a sua primeira proposta de parceria.

Perguntas frequentes

Patrocinar time de várzea vale a pena para vendedor de espetinho?+

Sim, desde que o acordo inclua o direito exclusivo de vender espetinhos e bebidas durante os jogos do time como mandante. Apenas colocar a marca na camisa não traz um retorno direto o suficiente para cobrir os custos.

Quanto custa patrocinar um time de futebol amador?+

O valor varia. A cota costuma ser o pagamento de um jogo de camisas (entre R$ 800 e R$ 2.000) ou a taxa de inscrição do time em campeonatos regionais. Esse valor deve ser visto como o aluguel do seu ponto de venda.

Como negociar o patrocínio com a diretoria do time?+

Procure o presidente ou diretor do time, ofereça pagar uma parte das despesas da temporada e peça, em contrato ou acordo verbal firme, a exclusividade para colocar sua churrasqueira nos jogos onde o time for o mandante.

Preciso de licença da prefeitura para vender espetinho no campo?+

Sim. Como a maioria dos campos de várzea fica em praças ou terrenos públicos, você precisa solicitar a autorização ou licença de vendedor ambulante na prefeitura da sua cidade para aquele local específico.

Quais produtos vendem melhor em dia de jogo de futebol?+

Produtos rápidos, baratos e que podem ser comidos em pé. Espetinhos de carne, frango, linguiça e coração são os campeões. Bebidas geladas, como água, refrigerante e cerveja, costumam dar mais lucro que a própria carne.

Como vender espetinho se não tem energia elétrica no campo?+

Leve caixas térmicas grandes com bastante gelo para conservar a carne crua e as bebidas. Para a iluminação em jogos de fim de tarde, use lâmpadas de LED a bateria ou ligadas na bateria do carro.

Continue lendo