Precisa de licença para vender espetinho na rua? Guia do alvará de ambulante
Sim, para vender espetinho na rua você precisa de autorização da prefeitura. Veja como funciona em São Paulo, Rio e BH e o que fazer na sua cidade hoje.
Por Na Brasa. Publicado em . 7 min de leitura.
Resposta curta: Sim. Para vender espetinho na calçada, praça ou rua você precisa de autorização da prefeitura para usar o espaço público, e cada cidade tem seu nome e seu processo. Em São Paulo é o Termo de Permissão de Uso (TPU), pedido pelo Tô Legal; no Rio é a autorização de comércio ambulante; em BH a licença sai por edital. Ser MEI não substitui essa licença.
Muita gente começa o espetinho com uma churrasqueira de tambor na porta de casa e só descobre que precisava de licença no dia em que o fiscal aparece. Aqui está o caminho mais comum, com exemplos reais de três capitais, para você saber o que perguntar na sua prefeitura.
Precisa de licença para vender espetinho na rua?
Precisa. A calçada, a praça e a rua são espaço público, e quem decide quem pode ocupar esse espaço é a prefeitura. Não existe uma lei federal única para ambulante: cada município tem seu Código de Posturas (o conjunto de regras de uso da cidade) e suas normas de comida de rua.
Por isso o nome muda. Você vai ouvir:
- Termo de Permissão de Uso (TPU): documento que permite usar um pedaço do espaço público, em dias e horários definidos;
- licença ou autorização de ambulante: a mesma ideia com outro nome;
- alvará: termo popular para qualquer licença da prefeitura.
O risco de trabalhar sem nada é concreto. Em 2023, a Prefeitura de São Paulo registrou 11.530 apreensões de mercadoria de comércio de rua irregular (Prefeitura de São Paulo). Para quem vende espeto, apreensão significa perder carne, churrasqueira e a noite de trabalho.
O que normalmente a prefeitura pede?
Os detalhes mudam, mas o roteiro se repete na maioria das cidades:
- Documentos pessoais: RG, CPF e comprovante de residência.
- CNPJ, em muitas cidades. Por isso vale abrir o MEI para vendedor de espetinho antes.
- Ponto pretendido: endereço, foto do local, dias da semana e horário.
- Descrição do equipamento: carrinho, barraca desmontável, trailer, food truck.
- Lista do que vai vender.
- Comprovação sanitária: curso de boas práticas, cadastro ou vistoria, conforme a cidade.
- Pagamento de taxa pelo uso do espaço, quando houver.
Como funciona em São Paulo?
São Paulo tem lei própria para comida de rua, a Lei Municipal 15.947/2013 (texto da lei). Os pontos que mais importam para quem vende espeto:
- o documento é o Termo de Permissão de Uso (TPU), emitido pela Subprefeitura do local;
- os equipamentos se dividem em três categorias: veículo (até 6,30 m), carrinho ou tabuleiro e barraca desmontável, todos recolhidos ao fim do expediente;
- o TPU não é concedido a pessoa física, então você precisa de CNPJ;
- o pedido leva cópia do CNPJ, identificação do ponto com foto, dias e período (entre 4 e 12 horas por dia), descrição do equipamento, lista de alimentos e certificado de curso de boas práticas de manipulação de alimentos;
- é proibido instalar em Zona Estritamente Residencial, e na calçada é preciso deixar 1,20 m livre para pedestre;
- quem está inscrito no CADIN (cadastro de devedores do município) não recebe TPU;
- bebida alcoólica é proibida nos equipamentos de rua, exceto em eventos com autorização específica.
Hoje o pedido é feito pelo programa Tô Legal, no site tolegal.prefeitura.sp.gov.br. A prefeitura informa que o processo leva em média 4 dias, que é preciso ter senha web e CCM (Cadastro de Contribuintes Mobiliários) e que o preço varia conforme o metro quadrado da região (Prefeitura de São Paulo).
Na parte sanitária, a Secretaria Municipal de Saúde informa que o CNAE 5612-1/00 (serviços ambulantes de alimentação) é isento de licenciamento sanitário, mas precisa cumprir os requisitos da Portaria SMS.G 2619/2011 (Prefeitura de São Paulo, Saúde). Isento de licença não quer dizer livre de fiscalização: higiene, temperatura da carne e água limpa continuam valendo.
Como funciona no Rio de Janeiro?
No Rio, o serviço se chama Autorização e legalização de comércio ambulante e vale para logradouros públicos e praias (Carioca Digital). O pedido é feito pelo sistema de processo digital da prefeitura, com conta gov.br nível prata ou ouro.
Os documentos listados incluem:
- comprovante de residência no município do Rio;
- documento de identidade e CPF;
- certidão de nascimento dos filhos menores, quando for o caso.
A prefeitura informa que o custo varia conforme a legislação municipal e que pode haver isenção. Também dá para pedir informação pelo 1746. Em datas grandes, como a festa de São Jorge, a Secretaria de Ordem Pública abre inscrições separadas para ambulantes (Prefeitura do Rio).
Como funciona em Belo Horizonte?
Em BH, a licença de ambulante não fica aberta o tempo todo: ela sai por edital. A prefeitura usa o Edital SMPU 080/2019 com lista de reserva e faz convocações quando abrem vagas. A 8ª convocação, de novembro de 2025, chamou candidatos para 5 vagas (PBH, ambulantes).
Um detalhe importante: a página da prefeitura cita como exemplos lanches que não precisam de refrigeração, bebidas não alcoólicas, picolés e doces. Espetinho na brasa não aparece nessa lista. Se você usa trailer ou veículo, existe outro caminho, o de automotor, food truck e trailer (PBH). Antes de investir, confirme com a Secretaria de Política Urbana em qual modalidade o seu espeto se encaixa.
Qual a diferença entre as três cidades?
| Ponto | São Paulo | Rio de Janeiro | Belo Horizonte |
|---|---|---|---|
| Nome do documento | Termo de Permissão de Uso (TPU) | Autorização de comércio ambulante | Licença de ambulante |
| Onde pedir | Tô Legal / Subprefeitura | Processo digital da prefeitura, 1746 | Portal PBH ou BH Resolve, quando há convocação |
| Precisa de CNPJ? | Sim, TPU não sai para pessoa física | Documentos listados são de pessoa física | Confirmar no edital |
| Taxa | Por m² e região | Varia, com possível isenção | Confirmar na SMPU |
| Bebida alcoólica | Proibida, exceto evento autorizado | Confirmar na prefeitura | Não aparece entre os exemplos |
| Abertura de vagas | Pedido pelo Tô Legal; a lei prevê chamamento público para o ponto | Pedido pelo sistema | Por edital e convocação |
Regras consultadas em outubro de 2026. Prefeituras mudam decretos com frequência, então confira a página oficial antes de montar o ponto.
E se a regra da minha cidade for diferente?
Na maioria das cidades do interior não existe "Tô Legal" nem edital publicado na internet. Faça assim:
- Procure a Sala do Empreendedor da prefeitura. Ela existe em muitos municípios e atende MEI de graça.
- Pergunte qual secretaria cuida de ambulante: costuma ser posturas, serviços urbanos, fiscalização ou desenvolvimento econômico.
- Leve o endereço exato do ponto, os dias e horários e uma foto do equipamento.
- Pergunte da vigilância sanitária: se precisa de cadastro, vistoria ou curso de boas práticas.
- Pergunte sobre bebida, principalmente cerveja, porque muitas cidades proíbem na rua.
- Peça tudo por escrito ou anote o número do protocolo.
Se o seu ponto é na frente de bar, pergunte também se o bar pode ceder a calçada. Em muitos lugares a calçada continua sendo pública mesmo na frente de um comércio, e a autorização tem que ser sua.
O que fazer enquanto a licença não sai?
Enquanto o processo anda, dá para se organizar:
- guarde nota das compras de carne e carvão;
- faça o curso de boas práticas de manipulação de alimentos, perguntando antes na prefeitura qual certificado ela aceita;
- planeje o equipamento dentro das medidas que sua cidade aceita, para não ter que refazer;
- calcule se o ponto se paga com a taxa incluída, usando a calculadora de preço do espetinho.
Com licença, o ponto deixa de mudar toda semana, e cliente que sabe onde te achar volta. Se você está começando do zero, o guia como montar um espetinho de rua cobre equipamento e lista de compras. E quando o ponto estiver regularizado, o Na Brasa ajuda a registrar cada venda e a fechar o caixa da noite pelo celular, o que também facilita prestar contas se a prefeitura pedir movimento.
Próximo passo
Abra o site da prefeitura da sua cidade e procure por "ambulante", "comércio em via pública" ou "comida de rua". Se não achar nada, vá à Sala do Empreendedor com o endereço do ponto, a foto do equipamento e o seu CNPJ de MEI, e pergunte exatamente quais documentos, taxas e cursos são exigidos.
Perguntas frequentes
Precisa de alvará para vender espetinho na rua?+
Precisa de autorização da prefeitura para usar o espaço público. O nome muda de cidade para cidade: Termo de Permissão de Uso, licença de ambulante, autorização de comércio ambulante. Sem ela, a fiscalização pode apreender a mercadoria e o equipamento.
Vender espetinho na porta de casa precisa de licença?+
Se a churrasqueira fica na calçada, que é área pública, normalmente sim. Se tudo fica dentro do seu terreno, a regra pode ser outra, ligada ao alvará de funcionamento e ao zoneamento. Pergunte na prefeitura com o endereço em mãos.
Ser MEI substitui a licença de ambulante?+
Não. O MEI cuida do CNPJ, do imposto e do INSS. A permissão para ocupar calçada, praça ou rua é dada pela prefeitura em outro processo. Em algumas cidades o CNPJ é exigido justamente para pedir essa permissão.
Quanto custa a licença de ambulante?+
Depende da cidade e do ponto. Em São Paulo o preço é calculado pelo metro quadrado e pela região do ponto. No Rio, a prefeitura informa que o valor segue a legislação municipal e pode haver isenção em alguns casos.
Espetinho de rua precisa de vigilância sanitária?+
Depende do município. Em São Paulo, o serviço ambulante de alimentação é isento de licença sanitária, mas precisa cumprir as regras sanitárias da Portaria SMS.G 2619/2011, e a lei de comida de rua pede curso de boas práticas. Em outras cidades pode haver cadastro ou vistoria.
Posso vender cerveja junto com o espetinho na rua?+
Depende da cidade e muitas vezes é proibido. Em São Paulo, a lei de comida de rua veda bebida alcoólica nos equipamentos de rua, exceto em eventos com autorização específica da prefeitura.
Onde pedir licença de ambulante na minha cidade?+
Procure a Sala do Empreendedor, a secretaria de posturas, de serviços urbanos ou de desenvolvimento econômico da prefeitura. Leve o endereço do ponto, os dias e horários e a descrição do seu equipamento.